quinta-feira, 3 de março de 2016

GRILA FALANTE

Sou daquelas que precisa falar...
Quem me conhece de verdade, ali no olho no olho, sabe que eu sou boa de papo e adoro uma boa conversa. Uma ruim também. Chego pra trabalhar e antes de qualquer coisa, sempre tem alguém no café e ali mesmo nascem histórias. Na hora do almoço, é a mesma coisa, de perder a hora de tanto que se fala. Em casa, sozinha, já conversei com os azulejos, da cozinha e do banheiro, dei entrevistas longas e engraçadas no chuveiro, pro Jô e pra Marilia Gabriela, reclamei baixinho pra cama e pro espelho. Dei bronca nos brinquedos do Lucas e risadas com minhas almofadas. Puxo papo no elevador, sou a melhor amiga da vizinha, da Fatima Bernardes e conselheira do Seu João, zelador. Só Romilso, o moço do lixo, que não me topa muito. Também, eu continuo dificultando o trabalho dele, e não consigo descer o lixo antes das 18h. Falo online e off-line. Escrevo todos os dias, às vezes vira post, às vezes no blog, muitas vezes pra mim, num bloco de notas de umas mil páginas já. Às vezes dá preguiça falar, tem horas que falar demais é perigoso e tem gente que não merece nossa voz, aí falo comigo, mentalmente, eu e meu cérebro, duas matracas. Se me chamam pra 2 minutos num bate-papo, fico 2 horas...poder de síntese zero. Mas preciso disso. Preciso falar, escrever, por pra fora em verso e prosa, quase que uma necessidade teatral e superlativa. Uns me tacham de exibida, outros me incentivam cada vez mais. “Escreve um livro!”, ok, quem sabe este seja o Prólogo?
E além de falar, gosto de quem fala comigo. Gente de verdade, que fala queném eu, me entende na 2ª linha, gente que não tem frescura, que puxa uma cadeira e vai sentando...Gente que parece amiga de infância, que vc não vê há anos, mas basta uma frase pra intimidade voltar cheia de lembranças. Gosto de gente que aprecia um fim de noite na mesa da cozinha, que vai pegando o farelo do bolo e comendo, que senta no chão com perna de índio, que pode ter todo glamour do mundo, mas toma sorvete de casquinha e limpa a boca com o canto do braço. Que fala de um jeito honesto, que recebe de coração aberto, anda de pés descalços e faz seu melhor sorriso pra foto. Gosto quando a pessoa abraça e a gente sente o coração, gosto de aperto de mão e de sentir vontade em ficar mais um pouquinho. Não gosto de gente montada, inventada, artificial, sem um quê de baunilha na vida. Mas dessas, eu não vou falar. Hoje, a vontade era essa, dizer que sou assim, faladeira e de verdade. Pena que raros respondem. Pronto, falei!

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