quarta-feira, 1 de junho de 2016

MIGA SUA LOKA


Ontem mesmo na empresa, o maior piriri, eu quietinha encolhida numa portinha 1x1, e a mocinha do financeiro dê-lhe puxar assunto: “Criiiisinha é você?” E quem mais tira a roupa todinha, até a aliança, em qualquer lugar sem nenhum pudor e deixa aparecendo a pontinha da roupa naquele vãozinho indiscreto? E falou, falou... e eu tentando apressar as coisas, mas não teve jeito, depois que passa uns certos segundos, você não escapa de disfarçar a situação, e eu, minha cara de pau e o mico leão dourado entregamos pra Deus, continuei a conversa no maior suador e naturalidade. Certa vez, ainda adolescente, comprei uma ametista de uma vidente acreditando que aquilo mudaria minha vida. Tomei uns tiros de chumbinho de um vizinho. Paguei 10 sessões num bronzeamento e saí laranja. Saindo do trabalho, em plena Cracolândia, agarrada na bolsa, certa de que ia cruzar algum nóia, me pula uma cigana “hightec” querendo ler a minha mão conectada num Ipad. Talvez me enviasse a consulta por email. E quanto esporro levei do Romilso, o moço do lixo lá da Moóca? Aqui também tem um...mas merece um texto só dele. Dobrei muito aviãozinho pro SS, fiquei atrás do Pião da Casa Própria, pras velhinhas não colocarem a mão antes daquele treco parar de rodar. Tomei um porre de vinho nas Bodas de Prata dos avós de um ex, primeira e última vez que a família me viu. Cabulei aula pra ver Menudo no Aeroporto e só vi a Mara Maravilha. Zanzei a tarde toda pelos Jardins com a amiga (né Tatá?), e dei de cara com a costureira da minha mãe no ônibus na volta pra casa. Tomei um couro. Em Itu, corri de um cara com facão que só queria me dar um abacaxi e saí de uma loja com a etiqueta pendurada no suéter (esqueci de me trocar). Imagine o tanto que apitou e o tanto que a cidade (que é um ovo), já não me conhece como a louca do provador? Choro no banho meus fracassos como mãe, mas sei a dancinha dos Power Rangers. Fiquei uma semana em Natal pedindo filé com fritas, me recusando a comer tudo com coentro. Persegui ônibus da excursão do meu filho com um bando de mães tão loucas quanto. Tive a capacidade de dar dupla pirueta na meia ponta em frente a uma plateia de mil pessoas. Fiquei amiga de uma pombagira. Me perdi na volta de Pisa pra Roma e aceitei carona de estranho. Dei graças a Deus que ele era surdo-mudo e a gente se entendeu por mímica. Já tive ataques de riso em velório. Dou entrevista pro azulejo mas nunca sei se tô no Jô ou no Roda Viva. Crio diálogos absurdos comigo e discutimos. Já me vesti de papel de parede e isso é recente. Não sei mudar pro Netflix, fico esperando meu filho (de 5 anos) chegar da escola pra me ajudar. Coloquei cebola na máquina de lavar e meia na geladeira por conta dos meus semi-alzheimers. Emprestei 1 real pra um bebum e ele me deu o troco porque a pinga era 50 centavos. Vim trabalhar de stormtrooper. Em Fernando de Noronha, um sapo gelado caiu na minha cabeça quando abri o chuveiro. Enfrentei morcego com cabo de guarda-chuva. Escovei dente do gato porque caçou rato. Caí num boeiro comemorando o Tetra no meio da rua e quase me estabaquei de um Pier na Ilha do Mel. Dei PT num Monza, atropelando a única placa que tinha no sítio. Quase morri com um acarajé porque optei pela versão “quente”. Fiquei um dia inteiro amarrada na minha irmã (que é canhota), pra aprender a não brigar. E pros íntimos, bem íntimos imito a Aracy da TopTherm. Curto aquele grauzinho de sonolência do Miosan. Já falei na cara do Paulo Coelho que ele não merecia ser um imortal da ABL, em retribuição ele me pagou um café. Tive um galo, o Tibúrcio, que vivia embaixo da minha camisola e subia na pia pra me ver escovar os dentes. Tibúrcio criou esporas e me trocou pela tartaruga da escola. Tomei 10 pontos na boca e puxei o fiozinho assim que me olhei no espelho. Ganhei um relógio de bebê mais bonito no Raul Gil e chorei litros quando ele me pegou no colo. Já tomei umas margueritas com a Hebe e vejo Uma Linda Mulher pra ficar feliz. Amarelei quando a luzinha vermelha piscou, não pulei de pára-quedas. Limpei a Montanha Encantada do Playcenter com mais uns dementes da escola porque fizemos bate-bate com os barquinhos. Fico melhor amiga em fila e não sei terminar esse texto porque tenho mais 300 coisas pra contar. Fique por aí, quem sabe eu conto!



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