segunda-feira, 11 de julho de 2016

BRUXA DE BLAIR

Parece que tem alguma coisa ali, uma sombra, um movimento no escuro, um barulhinho estranho, um chacoalhar de folhas..., mas não aparece nada.
Marido viajando a trabalho, filho de férias na vó.
Sobrei aqui, sozinha, nessa Itu gigante.
Até umas sete da noite ainda deu pra disfarçar. Tem claridade, coisinhas da casa por arrumar, adrenalina do trabalho saindo do corpo, banho sem interrupções, até tirar a maquiagem consegui.
Mas agora, o burburinho quietou.
Essa era hora de desenho com Lucas. Entoei: “a bruxa fala, fala, fala, a bruxa é mala, mala, mala, pra se livrar desse baú, detetives do prédio azul...”. Affffffffff, tem bruxa na letra, pára!
Os gatos são meu termômetro...viram a cabeça e miam pra parede esses pestes. Eriçam, acalmam, eriçam de novo...
Sobem os calafrios. Deus não me dê sede pra ter que pegar água na cozinha...melhor ficar encolhida num canto até o arrepio passar.
Ventania e janela batendo, um clássico por aqui e aquele uuuuuuu, uuuuuuu, uuuuu, do tipo, corre minha filha, corre que o bicho papão vai te pegar.
Luzes acesas, todas, dane-se a conta de luz esse mês. The Walking Dead hoje nem pensar. Ainda mais quando a presença de zumbi dentro do guarda-roupa do quarto é muito real. Um barulhinho lá looooooooonge e teimosa, ao invés de ficar quieta, vou dar uma espiadinha. Chego mais perto do barulho, no quarto do Lucas...medo da porra! O som começa a ficar familiar e um misto de cagaço com risada de canto de boca começa a se desenhar. Batman seu filho da puta, tinha que desembestar a conversar justa agora?
Era o brinquedo tagarela que funciona com sensor. Mas sensor de que gente?
E faltam só 10 páginas pra eu terminar meu livro. Poxa. Rezei tanto pra ter uns momentinhos essa semana pra conseguir terminar, mas cadê coragem? Tá justo na parte dos umbrais, espíritos obsessores tentando resgate, não vou dar conta de ler e fingir maturidade com o plano espiritual. Mal simulei uma lidinha e já senti alguém sentado na cama, assim, quase esmagando meu pé, sabe quando a gente puxa a coberta e toma um tranco? Mãe do céu, e o apartamento cada vez mais escuro e cheio de sombras. Ainda se fosse São Paulo, tinha umas freadas de carros, sirenes, a farra do bar da facu na rua. Que nada. Aqui até grilo dorme cedo.
E a casa parece que ganha vida...portas rangem, geladeira estala, chuveiro pinga.
Remedinho pra dormir será? Amigas do whats, vamos conversar?
Alguém vivo aí me lendo, topa uma pizza? Uma caminhada na praça?
Qualquer coisa que afaste solidão. Solidão que a gente deseja tanto, mas quando tem, não sabe o que fazer com ela. E hoje é só o primeiro dos 5 atordoantes dias que não vai ter um “manhê” ou “amor você sabe onde tá?” Sei tudo gente, voltem!
Fico imaginando o tamanho do monstro. Daquela cena dos Caça-Fantasmas que alguém falava “Não pense em nada”. E lá vinha o monstro de Marshmellow, lembra?
Tô bem assim: “não pense, não pense”...mas só me vem a leva toda do Noites do Terror na cabeça. Tem vodka no freezer, quem sabe um golinho pra relaxar a tensão?

Noite vai ser looooooooooonga. E a expectativa maior ainda. Queném no filme, que a gente torce pra dar de cara com a bruxa, mas o que sobra é só a besta da trilha sonora com a nossa respiração.