2015 foi um ano que deixou todo mundo meio retardado da cabeça.
Adeus trânsito, metrô, enchente, violência. Olá qualidade de vida!
Dois minutos do trabalho pra casa, quem não quer?
Apê ensolarado.
Gatos felizes com passarinhos, grilos, louva-deus e lagartixas à disposição.
Praças, árvores, bicicleta. Avenidas com atletas correndo. Fim de tarde com açaí. Filho amando tudo.
Pessoas nas portas das casas, proseiam, sem pressa. Um bom dia a cada passo que dou. São esses “estranhos”, desconhecidos que nunca me viram, responsáveis pelo meu conforto. Mal sabem, num simples aceno de cabeça, o bem que me fazem.
Me pego saindo agitada do trabalho, cruzo um cara com facão e mal percebo a gentileza a me oferecer, neuras paulistanas.
Taxistas me pedem calma. “Vamos chegar em 3 minutos”. Não desacelerei ainda.
Traçar rota no waze beira o ridículo, 5 minutos a maior das distâncias.
O trânsito tem 4 carros.
O pôr do sol é rosa. O gato é o mais belo da cidade!
Na porta de casa, passa o caminhão de lixo, o de produto de limpeza, das verduras e frutas. E também o churros, a pamonha, o sacolé, a tapioca e o moço com a Bíblia.
Amigos, já tenho tantos. Na escola, na rua, no prédio, no cabeleireiro. Os de infância, do coração também estão aqui, e me acolhem, me guiam, me acalmam.
A “venda” vende fiado. Anota no caderno, confia mais na palavra que no cartão.
O moço do shopping entrega terno delivery. O da imobiliária vira amigo de face. Na padaria já sabem do que gosto e me chamam de Cris e o japa do hortifruti sempre avisa quando a manga tá madura. O motorista da rodoviária muda o caminho e deixa na porta do trabalho, pra fazer um “agradin”. As mães da escola sempre a postos, me salvam das febres e imprevistos de Lucas. Há tempos não ouvia: “precisando, me chama!” que sei, é de uma verdade do coração.
A tia da perua dá balas toda sexta e a da portaria cuida dele enquanto desço.
Lucas tá “falanu, cumenu e sabenu tudo de interioooooooooorrrrrrrrrrr”. “Moro no Itu”, lá onde acabam os prédios da estrada - diz ele.
Solidão? Não dá tempo, com 10 grupos no whats, cafés da tarde, buffets infantis e muita piscina.
Dieta também não dá.
Ok, não tem a melhor pizza, mas tem pão de bolinha, nem vida noturna, mas tem happy às quartas. A infra nas ruas e hospitais precisa melhorar absurdos. Tem um povo que se acha, e te olha de cima, mas têm os que olham nos olhos e desses faço questão!
Luz, água, diversão e saúde o ano todo. Não posso reclamar.
E quanta água hein?
Chuva sem traumas, sem medo da volta pra casa. Abençoada, grossa, abundante. Lavei a alma.
A torre da igreja, vejo da sacada. 12 badaladas, cheiro de bolo de quermesse.
Sim, também tivemos crise. Foi feia! É feia! De arrepiar!
Deu trabalho trabalhar.
Trabalho que vi pessoas perderem.
Tapa na cara todos os dias. Soco no estômago, nó na garganta.
Euforia, decepção, equilíbrio, explosão. Montanha-russa. Intensidade na potência máxima de um alto-falante. E quase ensurdeci. Quase!
Egos ao chão. Leões, mortos aos montes, um por dia.
Turbilhões contraditórios pra uma calmaria de interior.
Diante do Sol, gratidão! No ar-condicionado, só eu sei!
Mas valeu o sorrir e respirar melhor de um filho. O marido sentado à mesa.
A agenda lotada de encontros e festas e a porta aberta às novas energias!
Valeu cantar com Elton John, rever amigos, abraçar pessoas mesmo na hora errada, receber apoio e surpresas da família.
Finzico de ano com o ombro cansado de ser leve fazendo piada, mas grata pela oportunidade em tentar.
E a primeira ondinha de 2016 vai pra você. Obrigada Itu!! Por todos os seus exageros!
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