quarta-feira, 1 de junho de 2016

MÃE NOTA 10

Que tipo de mãe eu sou? Quando Lucas era um joelho cabeludo recém-nascido, eu até que era bem da cuidadosa. Daquelas que entravam no quarto de 5 em 5 minutos pra ver se tava respirando. Lia todo rótulo das frutas, legumes, e remédios. Analisava a 5ª geração do currículo da candidata a babá, esterilizava mamadeira, chupeta e todos aqueles pegadores...Fazia questão de morar a 2 minutos da pediatra. Não deixava passar da hora do banho de sol, temperava o banho com água mineral e me cadastrava em todos os sites e blogs de como cuidar do bebê até a adolescência (confesso que parei nos 8 meses).Separava roupa branca de colorida, lavava com sabão especial e lenço umedecido era a primeira coisa que ia na bolsa.Aí, à medida que o joelho, vira perna, braço e boca, a gente vai perdendo a neura e crescendo com ele.4 anos depois, a grande maleta de sair se resumiu em casaco e cueca dentro da bolsa (e até hoje nunca foram usados). Nem sou tão zelosa assim, claro que na maioria das vezes sou tudo que uma mãe normal é, mas resvalo na rotina e nem sempre a nota é 10.Já me peguei falando de igual pra igual “alinhando” situações e barganhando favores. Tiro pilha de brinquedo que me irrita, roubo Danette quando tô na nóia do doce, fui ver Cinderela mais por mim do que por ele, repito lanche pra escola quando tô sem saco de “criar lanchinhos saudáveis” . Na exaustão da insistência, se não quiser comer o que tem, enfio mesmo um tetê e pronto. Me enchi de tanto papelzinho, “desenhinho” e palitinho com papel crepom e joguei tudo fora...(me julguem!!). Já dei muito miojo, nuggets e batata do Mc. Deixei dormir comigo quando o pai viaja. Confesso sem culpa: ficou sem banho, sem escovar dente e sem uniforme passado, por pura preguiça ou cansaço. Já abracei e morri de dó depois de um castigo e liberei pirulito durante a semana. E quantas vezes falei: não, não, não e no quarto não...deixei......Menti que não tinha dinheiro, pra ele faltar no passeio da escola (aquela dita Fazendinha, não deixo mesmo!). Cheguei a comprar tudo que saiu do Frozen no embalo dessa febre insana, e a cantar “Lerigou” 4 horas seguidas com performances. Mediquei por conta própria e instinto e antes de sair prum restaurante mais vale uma bateria de tablet bem carregada do que a carteira na bolsa. Ameacei ir embora e adotar outro filho mais legal na hora master da pirraça. Deixei sozinho estribuchando no chão do shopping. Mandei engolir choro. Bati sem medo da teoria da Xuxa. Por pura falta de argumento soltei o clássico: “PORQUE EU SOU SUA MÃE!”.Encontro massinhas (duras), canetinhas (secas) e gelecas (fedorentas) que, certeeeeeeeeeza escondi de pânico que aquilo estragasse meus móveis (tô na parcela 3/24 deles ainda!).Uso de psicologia barata pra fazer parar de chorar, tipo “ não chora senão a mamãe vai morrer de tristeza e vai sair sangue do coração dela” (funciona super!!). E quantas vezes tive um ataque de riso na frente dele, do “Putameda” que ele repetiu (do pai, claro!)?E cometi e cometo tantas outras atrocidades com essa pobre criança, que cresce cada vez mais linda, saudável, inteligente, graças às minhas práticas nada convencionais.E ser mãe pra mim tem sido assim, errar (chorando no chuveiro, sempre!), com todo o livre arbítrio do mundo, na maior vontade de acertar!


...respira...
Você será mãe por toda a vida.
Ensine as coisas importantes. As de verdade.
A pular poças de água, a observar os bichinhos, a dar beijos de borboleta e abraços bem fortes.
Não se esqueça desses abraços e não os negue nunca.
Pode ser que daqui alguns anos, os abraços que você sinta falta sejam aqueles que você não deu.
Diga ao seu filho o quanto você o ama. Sempre que pensar nisso.
Deixe ele imaginar. Imagine com ele.
As paredes podem ser pintadas de novo. As coisas quebram e são substituídas. Os gritos da mãe doem para sempre.
Você pode lavar os pratos mais tarde. Enquanto você limpa, ele cresce.
Ele não precisa de tantos brinquedos. Trabalhe menos e ame mais.
E, acima de tudo, respire.
Você será mãe por toda a vida.
Ele será criança só uma vez.

ESPELHO
(Por Cris Rovini)
Ei você aí. ..
Aposto que comeu muita alface na adolescência. Tomou Biotonico Fontoura pra abrir o apetite. Levou umas boas chineladas e ouviu "comigo não, violão! ".
Ei você. ..que ficava puto porque tinha que levar um casaquinho porque vai chover? Tinha que arrumar sua cama, fazer a lição e levantar da mesa só depois do seu pai? Você que combinava da amiga ligar pra pedir pra liberar aquela saidinha. ..que só apresentava o namorado quando não tinha mais jeito. Você que tinha aquele prato preferido. Que se cagava todo da levantada de sobrancelha universal...que queria voltar no tempo quando vinha a frase: "deixa seu pai chegar pra vc ver!". Aposto que vc tremeu na base na hora de mostrar o boletim, pediu no ouvido dela "compra Danette vai?"..Você a procurou da janelinha do ônibus no dia da excursão, pediu pra assoprar o merthiolate devagarinho, perguntou tantas vezes onde estavam suas coisas. Vc teve vergonha dela na frente da escola....pedia pra ela parar lá na esquina. Se orgulhava dela fazer o melhor strogonoffe pras amigas e de ser acordada com o barulhinho da agulha do vinil cantando Parabéns. Ela te deu o álbum da Moranguinho....leu toda coleção Vagalume e tomou a tabuada no banho. Ameaçou várias vezes ir embora e evocava o bicho papão. Certeza que vc tb teve roupa de marca, comprada em 12x e um "não conta pro papai". Vc teve a leoa que brigou na escola, a carinha cansada te esperando do ballet. Teve brinquedo uma vez no ano e acreditou piamente em coelhinho da Páscoa e papai noel. Vc dava a mão pra atravessar a rua com medo do homem do saco e não entendia porque ela bufava tanto. Teve casa, comida e roupa lavada e mesmo assim era rebelde e odiava o mundo. E quanta lágrima enxugada, quanta risada, quanto vc foi amada! Ei você que tem uma assim. Vai lá agradecer vai!

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